terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Musicalizade
Meus amigos são como um setlist. Tem aqueles eletrohouses que são "modinha", vou escutar agora mas sei que daqui a algum tempo nunca mais vou conseguir ouvir.
Tem aquele old Nickelback que só escuta quando está no poço e ele compartilha aquela imensa dor contigo, aquelas que toca 30 vezes quanto está amando.
Tem aqueles bons rocks dos anos 80, que sempre tem que escutar mas se parar nele mais de uma vez na noite enjoa.
Tem aquelas faixas que foram baixadas e não se sabe porquê ainda tem.
E tem aquelas que faz tempo que não escutas, te perguntas porque excluiu e da vontade de baixar de novo...
Hoje me orgulho de ter um grupo de faixas que carrego no meu pendrive a toda hora, eles são como aquele CD do Metallica ou do Iron, nunca ficam velhos e sempre que escuto te lembra de boas coisas. Se estais triste, te animam, se estais feliz, mais feliz ainda vais ficar se estiveres com eles no teu headphone.
Quero agradecer a todas essas faixas especiais que vou escutar sempre e que nunca vão ficar antiquadas. De todo o meu HD de 300GB tenho orgulho de carregar essas poucas músicas que alegram minha vida no meu pendrive super seletivo de 20MB.
Yuri Souza.
Beijo!
Layse Gama
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Valsa para Bárbara
Quando cheguei em casa ontem a noite, percebí que seria imensamente dificil me despedir de ti. Eu não tenho problemas com isso, mas contigo não conseguiria engolir direito. Tiveste uma participação sem tamanho nas fases mais confusas e delicadas na minha vida, que dizer 'tchau' seria inapropriado e indelicado diante do mundo que foi estar contigo. Então achei mais conveniente me acabar no choro, na minha cama, até as 2 da manhã por que lá é um lugar que ainda tinha bastante da tua presença. Aquele quarto, as fotos, as risadas estavam fazendo uma assombração engraçada ontem a noite. Começei rindo e terminei aos prantos porque ví que tas fazendo uma escolha que vai mudar a tua vida... E mudanças são sempre mudanças. Apesar de as vezes boas, mudam algo que já tinha um ritmo... E você estava freneticamente ritmando comigo a alguns bons anos. São historias longas que me fizeram chorar de rir e tenho certeza que agora me farão chorar de saudade.
Mas crescimento é isso mesmo, dói e transforma a gente. Eu sei que somos pessoas adultas, que uma distância não interfere na escolha de amar alguém e acolhê-la dentro do seu coração. Acontece que não foi quando pegaste aquele avião que levaste um pedaço do meu coração, a verdade é que com o passar do tempo tavas tirando pedaço a pedaço dele pra ti, com cada expressão, abraço, viagem... Que eu já nem me importava que tivesses ocupando um espaço tão grande assim pra ti, mas agora levaste essa parte... E eu sentí. Assim como no passar desses dias, meses vou sentir mais e mais. Assim como no decorrer dessas frases sinto mais do que quando escreví a primeira linha. Eu sentí e tô sentindo a tua falta já com cada segundinho que passa, as vezes menos dolorido porque esqueço, mas quando eu lembro é pior do que o segundo anterior.
Não é de me surpreender que esse texto realmente pareça coisa de casal. Se alguém o lesse pensaria certamente que se trata de uma despedida barata, de um romance sem futuro. A diferença entre casais se separando e essa realidade aqui, é que nesse casamento não há divórcio, não há cobrança, não há separação. Só existe a sinergia de uma maravilhosa amizade, esta sustentando todos eixos do tal casamento. Casei contigo, amiga. Uma relação eterna. As minhas melhores palavras pra ti. Os meus melhores sentimentos, expectativas e torcida pra que tudo na tua vida, independente da escolha, sejam as mais construtivas e positivas. Eu amo você como se fosse a minha própria alma.
Beijo.
Layse Gama
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Internet Feelings! (laranjeiras)
Os dedos deslizam por horas e horas de bate papo na frente do computador, começando uma conversa que nunca terminaram ontem e que, certamente, não vão acabar hoje. Risos eternos e biologicamente comprovados por uma onda de neurotransmissores assassinos do controle emocional, então o fim da picada é quando você se apercebe de cara com uma foto minúscula de uma janela, falando qualquer besteira ou simplesmente admirando alí, em um estágio entre ser ridículo e/ou patético.
O decorrer do processo só vai então de mal a pior, sua janelinha de online acabou de ser levantada, ou melhor, está disponível sem que houvesse qualquer esforço contário, foi simplesmente inevitável. Agora só tem diversão de verdade se a outra janelinha também estiver por alí, as coisas vão acontecendo, o controle já saiu dos seus dedos, as palavras já se escrevem por si só. Você está sendo salvo e seu cupido se chama webcam, a vida informacional agora é outra, começando pelo estado civil que assume sua página de relacionamentos.
E que sorte é poder ver isso dar certo, ver que além de ter um remetente novo na sua caixa de entrada, se tem um ser simplesmente humano por tras disso, que não se trata de um cyborg programado pra te fazer feliz e sim uma pessoa, com qualidades e defeitos, cheia de manias e brincadeiras que te tiram do sério e, principalmente, algo que a tecnologia ainda não pôde oferecer, um cheiro de pele, de algo real. Você está na rede. Seja bem vindo!
Beijo!
Layse Gama
sábado, 13 de março de 2010
Phagocytosis
Eu não admito muitas teorias sobre sensações, até porque dentro de uma conversa conjunta, ninguém consegue limitar o que é a melhor e a pior sensação do mundo. Algumas pessoas dizem que a dor de perder alguém, seja fisicamente ou não, é terrível. Outras que a dor de sentir indiferença não tem tamanho, bem como a sensação de ser sentimentalmente recíproco com alguém é maravilhoso, ou estar sozinho e se divertir como se fosse a única expectativa de sua vida também é uma dádiva.
E ainda não admitindo teorias, ouvi uma coisa engraçada sobre sentir falta: “Não dá pra ignorar quando bate saudade, aquilo simplesmente te engole e sufoca, até que você pára de respirar e se deixa fagocitado de uma vez, sem exitar.” Talvez não tenha sido exatamente isso que escutei, mas essa foi uma interpretação válida pra entender a recusa que fazemos quando essa falta engolidora nos invade, sem o mínimo consentimento, sem um pingo de educação.
Ela pode ser de simplesmente um cheiro que trás lembrança, de uma lembrança que te dá um sorriso, de um sorriso que te rouba a paz. Um gosto, uma música, uma cena... Essa falta manifestando-se sorrateira, inicialmente como algo suportável e até bonitinho de sentir, depois prossegue aumentando a intensidade e quando se percebe... Parabéns, fagocitado.
É uma situação tão deturpada, que você começa a forçar a mente a pensar que isso não mexe tanto, recusa o festival que as borboletas têm feito na barriga, finge que essa ausência não tem efeito significativo na sua vida. Vai sendo consumido, consumido, consumido pela cascata de sentimentos e pensamentos simultâneos e dessincronizados, percorre a própria confusão e percebe a saudade que sente daquilo que conhece e nem conhece direito. E de que ela é, realmente, um pouco como fome. Fagocitado, então.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Não queria acreditar que precisava de muitas coisas, racionalizava planos, estressava por não terminar algo importante, ficava com raiva a ponto de não conseguir pensar mais em nada. Tinha uma destinação ainda incerta, mas acreditava nas boas lembranças de tudo aquilo. Pensou que certamente sentiria falta de algumas coisas mais do que já sentia, ou não queria assumir que sentia. Soube então, nesse momento, que precisava disso, que essa falta era o que lhe traria a importância de saber o que era, de fato, seu. Manteve-se constante entre as xícaras de café já vazias. Somente as xícaras.
Beijo.
Layse Gama.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Eles e eu.
“Ver Marley naquela postura singular de cão de guarda, tão majestoso e destemido, fez meus olhos se encherem de lágrimas. O melhor amigo do homem? Com certeza ele era...
...Ela me deixou sozinho com ele. Ergui cuidadosamente uma de suas pálpebras. Ela estava certa; Marley se fora”
Esse certamente não foi o melhor livro que já li, mas fora a história que incrivelmente relata a melhor relação de companheirismo e fidelidade entre dois seres. Conseguí olhar para Marley e eu e perceber que as expectativas vindas de duas mãos, reciprocidade bilateral, são sem fundamentos quando observamos um relacionamento desses, entre um cachorro e seu dono.
Não sou veterinária e nem estaria perdendo minutos preciosos das minhas férias de verão (aqui, deitada numa rede, na varanda de casa, com o notebook no colo) se não fosse pra defender as relações de independência que absorví de mais um livro lido. Quero dizer que, Marley era um cachorro, um ser irracional, que age por impulsos e sem dúvida, deveria ter transtornos mentais. E o dono, um jornalista, que amava o cachorro como melhor amigo, mesmo sem ter um dialógo com o animal, ele simplesmente via no bicho o que ele precisava, um amigo.
Ter um amigo não significa somente tagarelar a noite toda no telefone ou ter quem te defenda quando acusações mentirosas chegarem ao redor. Significa compreender situações e saber que sua vida não vai acabar se você perdê-lo. Amigos fazem faltas tamanhas, são dádivas do céu, mas foi-se o tempo que você amava pra ser amado. Ninguém precisa mendigar amor ou amigos, a prova disso é um cachorro que pôde ser amado, ser amigo, sendo um cachorro.
Amigos se alinham na fidelidade, na lealdade de pedidos, no desejo que tudo dê certo na vida do outro. Sem nenhuma obsessão compulsiva por atenção, invasão, sem cobranças... Porque amigos mesmo com a distância, nunca deixam de ser amigos, nunca deixam de ser prova do amor de Deus na nossa vida. Não é preciso ser feliz por ter um amigo e sim, ser feliz por fazer seu amigo feliz (mesmo que isso implique a decisões cruéis).
Pra ser clara, a melhor relação é aquela cujo você não colocou as expectativas em cima de alguém, porque pessoas são falhas, vêm e vão na nossa vida e, se o afetado não está preparado pra isso, nunca vai ter a capacidade de fazer algo por si próprio. Claro que precisamos de amigos, mas às vezes tanto quanto estão aqui, voam e precisamos deixar que eles sigam, porque amigos são como irmãos e irmãos estão eternamente ligados a laços de sangue. Eles não se vão, não os meus.
Beijo!
Layse Gama
sábado, 2 de maio de 2009
24 horas
Deus tinha mandando aquela estrela pra lembrar que todo dia, tudo era novinho em folha. Que era possível ser uma nova pessoa, escolher ser diferente simplesmente pelo fato de que o Sol estava entrando novamente no ângulo certo de rotação da terra. E aquelas ondas eletromagnéticas chegavam perto e eram como se fossem parte de si mesmo. Era possível sentir cada aumento de temperatura, cada passo da rotação, cada intenção... E o dia prosseguia com a rotina de costume. Costumes. O calor sempre esteve ali, sentia-se todas as sensações que ele trazia consigo, já estava adaptado a sentir-se daquele jeito. Daquele jeito, o melhor de todos.
Então algo age estranhamente, parece que o Sol está indo embora, a temperatura vai diminuindo, as coisas ficando menos claras, parece que Deus resolveu tirar barato com o ser humano! Sim, a noite chegou. E com ela todas as metáforas de escuridão, frio e apatia. Deita na cama, rola de um lado pro outro. Pensa e logo não dorme, claro. Pára e espera... No silêncio algo sempre fala cada vez mais, chama-se: bom senso.
Não, você não precisa ficar depressivo por que o Sol não está mais ali. Deus criou a noite e quando dizem que ‘ela é uma criança’, é verdade! Existem muitas formas de crescimento e diversão na ausência do calor, você não precisa disso o tempo todo. Passamos os nossos primeiros nove meses de vida submersos num saco embrionário, cheio de líquido. Seu corpo é adaptado para mudanças climáticas. Porque sua alma não seria?
Isso não é tão fácil assim... E então você dorme somente com a certeza de que amanhã o Sol vai nascer de novo e é realmente isso que se quer. A convicção de que amanhã ele estará no mesmo lugar de sempre traz muita paz. Mas que importância teria isso agora? Talvez ele nem venha cheio daquelas nuvens reluzentes, que refletem os raios e dão a aparência de dia ensolarada Copacabana Beach. Talvez ele venha por trás daquelas nuvenzinhas cinzas, com cara de chuva às três da tarde em Belém, mas ele vem... Todos os dias ele nasce, todos. Consegue emitir raios ultra violetas e prosseguir com sua rotina nem sempre calorosa pra gente aqui na terra, mas sempre calorosa. Tal como eu e você.
